segunda-feira, 22 de março de 2010

DÚVIDAS FREQUENTES: "ver" ou "vir"?

Nem sempre é fácil distinguir o verbo "vir" do "ver". É bem comum usarmos um pelo outro. Observe o uso desses verbos nas seguintes sentenças: Quando você ver minha amiga, entregue esse livro a ela. Não deu tempo para eu vim ontem. Se isso vir a acontecer, teremos que nos reorganizar. As formas dos verbos "vir" e "ver" usadas nos exemplos acima NÃO são aceitas pela gramática da língua padrão. Dintinguir quando se está usando um ou outro desses verbos parece ser uma dúvida frequente. Então, se quiser entender como distingui-los, ou simplesmente, se tiver a curiosidade de saber a forma de uso desses verbos, aceita pela gramática da língua padrão, siga esta postagem. Observe novamente o uso desses verbos nas sentenças dadas: Quando você vir minha amiga, entregue esse livro a ela. Não deu tempo para eu vir ontem. Se isso vier a acontecer, teremos que nos reorganizar. Essas são as formas aceitas ou "corretas" pela Gramática Normativa. Veja a distinção entre os dois verbos. VER - converte-se em "vir" no futuro do subjuntivo: Se você vir... Quando você vir.... - o mesmo vale para seus derivados: rever, prever, antever, entrever... - nos demais tempos, o procedimento é o mesmo: se eles revissem, previssem; eles previram; ele reviu... VIR - no futuro do subjuntivo, transforma-se em "vier": quando ele vier... - a mesma forma vale para os seus derivados: convier, intervier... - outras formas: conveio, interveio ... - "Vim" é a flexão do verbo "vir" na primeira pessoa do singular, no passado do modo indicativo: Naquele dia, eu vim com a namorada, hoje venho com a família.

quarta-feira, 10 de março de 2010

NOVA ORTOGRAFIA: o hífen em palavras formadas por prefixos

Pela nova ortografia, não se usa hífen nas palavras formadas por prefixos terminados em vogal (anti-, contra-, extra-), quando o segundo elemento inicia pelas letras "r" ou "s", as quais devem ser duplicadas. Veja alguns exemplos: ante + sala = antessala anti + racista = antirracista anti + reflexo = antirreflexo anti + religioso = antirreligioso anti + ruga = antirruga anti + roubo = antirroubo anti + ruído = antirruído anti + semita = antissemita anti + social = antissocial auto + regulação = autorregulação auto + retrato = autorretrato auto + serviço = autosserviço auto + suficiente = autossuficiente auto + sustentável = autossustentável contra + reforma = contrarreforma contra + regra = contrarregra contra + revolução = contrarrevolução contra + senso = contrassenso extra + regimento = extrarregimento micro + sistema = microssistema ultra + realista = ultrarrealista ultra + secreto = ultrassecreto ultra + sigiloso = ultrassigiloso ultra + som = ultrassom Observação: mantém-se o hífen quando os prefixos hiper-, inter- ou super- ligarem-se a palavras que se iniciam por "r". Exemplos: hiper-requisitado, inter-regional, super-resistente. Estas e outras informações constam no VOLP - Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, 5ª edição, onde se encontra a Base XVI do Novo Acordo Ortográfico.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

DÚVIDAS FREQUENTES: eu ou mim; tu ou ti?

Se você já teve dúvidas na hora de usar os pronomes eu e mim ou tu e ti, seguem abaixo as regras para usá-los de acordo com a língua padrão: - os pronomes eu e tu são sempre sujeitos, por isso não podem ser precedidos de preposição; - os pronomes tu e ti funcionam como complemento antecedido de preposição. Considerando tais usos, veja como fica o emprego dessas formas. Diante de verbos, usa-se eu ou tu. Exemplos: Eu saio de casa bem cedo todos os dias. Quando eu comprar um carro novo, farei uma viagem. Trouxeram um livro para eu analisar. (observação: mesmo tendo a preposição para antes do pronome eu, ele está funcionando como sujeito do verbo analisar) Está quase na hora de eu ir para casa. (aqui eu também é sujeito do verbo ir) Tu sabes muito bem essa lição. Observação: quando houver uma pausa (uma vírgula) antes do verbo, usa-se mim ou ti. Exemplo: Para mim (ou ti), terminar essa tarefa agora está difícil. (neste exemplo, o pronome mim não é sujeito de terminar, pois a frase está invertida. A ordem direta dela seria: Terminar essa tarefa agora está difícil para mim.) Depois de preposição, usa-se mim ou ti, porque estes pronomes funcionam como complemento indireto. Exemplos: Ele trouxe o livro para mim. Estão falando de mim. (ou de ti) Entre mim e ela, não há problemas. Entre mim e ti há uma boa amizade. Algumas preposições mais usadas: a, até, para, de, entre, com, em, por...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

NOVA ORTOGRAFIA: acentuação das duplas "ee" e "oo"

Pela nova ortografia, foi eliminado o acento circunflexo, o popular chapeuzinho, das palavras em que há as letras dobradas "ee" e "oo", como em leem, voo e enjoo. Observe como ficaram os dois casos separadamente: - não se acentuam mais os verbos ler, dar, crer, ver e seus derivados (reler, desdar, descrer, prever ...), quando estão flexionados na 3ª pessoa do plural (eles, elas): leem, deem, creem, veem, releem, desdeem, descreem, reveem; ou seja, sempre que a dupla "ee" aparece no final da palavra (com o penúltimo e forte), formando hiato com a terminação -em. Exemplos: As crianças leem os livros que colegas e adultos as motivam para ler. Professores e pais que creem na importância da leitura para a formação dos sujeitos costumam incentivá-las a ter o hábito de ler. - não se coloca mais o acento para sinalizar a vogal tônica em palavras terminadas pela dupla "oo", como em enjoo, voo e perdoo. Exemplos: Muitos passageiros acabam tendo enjoo em voos de longa duração. Mas, é bom ficar atento. Se o último o não estiver sozinho ou seguido de s, a palavra pode se encaixar em outra regra de acentuação, como em herôon (he-rô-on) _ paroxítona terminada em n.

ATENÇÃO: nada mudou em relação à acentuação gráfica dos verbos "ter" e "vir" e seus derivados _ conter, manter, convir, provir; dentro da nova ortografia. Isso significa que valem as regras que existiam antes do Novo Acordo Ortográfico, ou seja, neste caso, o acento circunflexo é empregado para marcar a oposição entre a 3ª pessoa do singular e a 3ª pessoa do plural desses verbos.

Exemplos:

O estagiário vem hoje para trabalhar no setor de informática. (ele vem _ 3ª pessoa do singular)

Muitas celebridades vêm para participar do evento de hoje. (elas vêm _ 3ª pessoa do plural).

Fonte de consulta: Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, 5ª edição, Base IX - da acentuação gráfica das paroxítonas.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

DÚVIDAS FREQUENTES: a palavra subsídio

Outro dia, fizeram-me a seguinte pergunta: o "s" da palavra "subsídio" tem som de /z/ ou de /s/? Você também já teve essa mesma dúvida? Pois saiba que a pronúncia do "s" da palavra subsídio, aceita pela língua culta, é de/s/, apesar de o uso do som /z/ ser o mais recorrente. O que justifica isso? Quanto à pronúncia, o "s" tem dois sons: /s/e /z/ . Tem som de /s/, quando: - está no início da palavra, como em sair, sabor, selo e sol; - aparece no meio da palavra, antes ou depois de consoante, como em observação, imprensa, compensar, denso, absoluto, subsídio, subsistência e haste, por exemplo. (Portanto, em SUBSÍDIO, o "s" tem som de /s/, porque está localizado logo depois da consoante "b") Tem som de /z/, quando: - está entre vogais, como em asa, mesa, resumo, cuidadoso, camisa e casulo; - nas palavras compostas pelo prefixo trans- seguido por vogal, porque o n é considerado mero sinal de nasalização /ã/, como em transatlântico, trânsito, transação ou transeunte. Note que, se a palavra que vem depois do prefixo iniciar por s, terá som de /s/, afinal já há um "s", escondido, que faz parte da origem da palavra, como em transubstanciação (trans + substanciação) e transexual (trans + sexual). Você deve estar pensando: seguindo tais regras, a palavra transa ( acordo, combinação, negócio; trama; relação sexual) deveria ser escrita com "z", e não com "s", para não ser pronunciada "trança". O gramático Napoleão Mendes de Almeida ajuda-nos a esclarecer mais esta dúvida. Segundo ele, "sempre que o étimo de uma palavra nossa acusar s, esta consoante deverá ser conservada em português; (...)". Se procurarmos a origem da palavra transa, saberemos que ela é uma forma reduzida da palavra transação, a qual é escrita com "s" que tem som de /z/. É possível, portanto, concluir-se que o "s" da palavra transa, em função da sua origem, pronuncia-se como /z/. Observação: a palavra obséquio, de acordo com o mesmo gramático, "tem som acidental de /z/, ou seja, entende-se que é uma exceção. Fontes de consulta: GRAMÁTICA METÓDICA DA LÍNGUA PORTUGUESA, de Napoleão Mendes de Almeida, Ed. Saraiva, 2005, p. 41 e 42. DICIONÁRIO HOUAISS DA LÍNGUA PORTUGUESA, Editora Objetiva, 2001, p. 2749.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

NOVA ORTOGRAFIA: acento em "i" e "u" antes de ditongo

Pela nova ortografia, não se usa mais acento agudo sobre o "i" e "u" tônicos, precedidos de ditongo* decrescente. Mas a regra só vale para palavras paroxítonas**.
Exemplos: feiura; baiuca; taoista; bocaiuva; maoismo; saiinha; tauismo. ATENÇÃO:
- o acento permanece em palavras, como Piauí e tuiuiú, mesmo tendo um ditongo decrescente antes do "i" e do "u" , porque elas são oxítonas***; exceto se terminarem por uma consoante diferente de "s", as vogais "i" e "u" não serão acentuadas, como em: cauim, cauins;
- todas as palavras proparoxítonas**** continuam sendo acentuadas, mesmo quando o "i" tônico está precedido de ditongo, como em: feiíssimo;
- a palavra "guaíba" continua sendo acentuada, porque o "i" tônico está antes de ditongo crescente*****.

* encontro de duas vogais na mesma sílaba ** penúltima sílaba mais forte *** última sílaba mais forte ****antepenúltima sílaba tônica ***** a semivogal vem antes da vogal

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

DÚVIDAS FREQUENTES: óculos, costas, quites, clipes...

Você já se deparou com uma dúvida na hora de fazer a concordância das palavras "óculos", "costas, "quites" e "clipes"? Então aí vão algumas dicas para ajudá-lo(a) nessa tarefa: - as palavras "óculos", "costas", "quites" e "clipes" são os plurais de "óculo"* "costa"**, "quite"*** e "clipe"****, por isso, devem concordar com as outras palavras que as acompanham; - é comum confundi-las com palavras terminadas por "s" e que não variam no plural, ou seja, têm uma única forma para o singular e para o plural, como "pires", "ônibus" e lápis", dessa forma, não precisam concordar com outras palavras ligadas a elas; - a regra básica de concordância nominal é a de que os adjetivos, pronomes, artigos e numerais concordam em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural) com os substantivos que acompanham. Então: Coloquei a xícara sobre o pires ou as xícaras sobre os pires. Perdi o meu ônibus ou aqueles ônibus. Comprei um lápis ou quatro lápis. Mas Vou levar os meus óculos ou o meu óculo para o conserto. (justifica-se o plural "óculos" por ser um par, da mesma forma que meias ou luvas, por exemplo) Estou com dor nas minhas costas, porque quebrei uma costa. (atualmente é raro o uso de costa, no lugar de costela _ palavra da qual se origina costa). Escrevi nas costas da sua mão. Estou quite com meus funcionários, e eles estão quites com a empresa. Coloque um clipe naquele documento sobre a mesa e guarde os outros clipes na caixa, por favor. Observação: o mesmo raciocínio pode ser seguido para a palavra parênteses, ou seja, existe a forma singular: parêntese. Assim: Ao abrir um parêntese, para fazer uma explicação, termine esta com outro parêntese, ou seja, a explicação ficará entre parênteses.

* Óculo: qualquer instrumento composto de lentes que auxiliam a vista; cada uma das lentes dos óculos.** Costa: originada da palavra mesma palavra atina, o mesmo que costela.*** Quite: livre da dívida, de obrigação.**** Clipe: pequena peça de metal ou matéria plástica, usada para juntar papéis.

Fonte de consulta: Dicionário Houaiss da língua portuguesa, Editora Objetiva, 2001.