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segunda-feira, 15 de abril de 2013

DEMAIS e DE MAIS

Como se escreve: DEMAIS junto ou DE MAIS separado?

Na fala, não fazemos diferença entre “demais” e “de mais”, até porque o contexto ajuda a esclarecer o sentido de cada uma dessas expressões.
Entretanto, na hora de escrever essas palavras, surge a dúvida: elas devem ser escritas juntas ou separadas?

A diferença de sentido entre elas  é que vai determinar a forma como nós as iremos escrever.

DEMAIS (junto) equivale a:

- “muito” (advérbio de intensidade).
Exemplos:
Os alunos aborreceram-me demais na última aula.
Estou bem demais para me deixar afetar por isso.

  - “ os outros” ou  “os restantes” (pronome indefinido).  

Exemplos:
Não estou em condições de decidir sobre a pauta. Então deixo aos demais a escolha dos temas a serem tratados na próxima reunião.
Pode ser que os demais membros da comissão não aprovem a nossa resolução.

DE MAIS  (separado) equivale a “demasiado”, excessivo, de resto, de sobra, a mais. É uma oposição a “de menos” e refere-se (acompanha) a substantivos ou pronomes. Neste caso é uma locução adjetiva.

Exemplos:
O concurso foi suspenso, porque surgiram candidatos de mais.
Nesse departamento há uma contradição: trabalho de mais e trabalhadores de menos.
Seja comedido na alimentação, pois tudo que é de mais prejudica a sua saúde.
Não há motivos para preocupação. Neste momento, não estou vendo nada de mais em seus exames.




quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

DÚVIDAS FREQUENTES: concordância nas expressões de porcentagens

Com expressões numéricas de porcentagem, o verbo fica no singular ou vai para o plural?

Depende do caso, pois a concordância verbal nas expressões de porcentagem pode dar-se:

1) com o termo antecedido de preposição, aquele que especifica a porcentagem, em geral um substantivo;

Exemplos:

50% dos alunos chegaram atrasados.
10% das crianças estavam acamadas.
30% dos brasileiros assistiram à transmissão da Copa.
1% dos convidados não vieram à festa.

40% da produção é exportada.
30% da população assistiu à transmissão da Copa.

2) com um artigo, ou um  pronome, ou um adjetivo que antecede a porcentagem;

 Exemplos:

Os 30% da população assistiram à transmissão da Copa.
Esses 5% da boiada morreram na enchente.
Bons 90% do eleitorado compareceram às urnas.

3) Com o numeral:

a) quando a expressão que indica porcentagem não é seguida de substantivo;

Exemplos:
25% querem a mudança.
1% conhece o assunto.” 

b) se o  verbo estiver antes do percentual.

Exemplos:
Faltaram às aulas 15% dos acadêmicos.
Não realizou a prova 1% dos candidatos.



Fontes: Gramática da Língua Portuguesa, de Pasquale & Ulisses, p. 483.Gramática Metódica da Língua Portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida, p. 414. Moderna Gramática  Portuguesa, de Evanildo Bechara, 37 ed., p. 566.

terça-feira, 19 de junho de 2012

DÚVIDAS FREQUENTES: "A CERVEJA QUE DESCE REDONDO ou REDONDA?"

Há divergências nas opiniões a respeito dessa questão.

Alguns gramáticos afirmam que há erro na sentença "A CERVEJA QUE DESCE REDONDO". Para eles, a palavra "redondo" é um adjetivo que se refere ao substantivo "cerveja", por isso, deveria concordar em  gênero com ele, ou seja, ficar no feminino _ "redonda".

Entretanto, outros gramáticos consideram que "redondo" é um advérbio e se refere ao verbo "descer", portanto, que está correta a concordância no masculino.

Evanildo Bechara, por exemplo, afirma que "na língua portuguesa atual, a tendência é para nestes casos [de alternância entre adjetivo e advérbio] proceder dentro da estrita regra da gramática e usar tais termos sem flexão, adverbialmente." (grifo nosso)

Por outro lado, Domingos Paschoal Cegalla considera que: "ambas as concordâncias são corretas".

Exemplos a favor do masculino:

"A mãe ia lá dentro e chorava escondido." (Autran Dourado, Armas e corações, p. 10)
"José Dias ria largo..." (Machado de Assis, Dom Casmurro, cap. V)

Exemplos a favor do feminino:

"Dona Eusébia entrou inesperadamente, mas não tão súbita que nos apanhasse ao pé um do outro." (Machado de Assis, Brás Cubas, p. 169)"

Rasgado [o azul do céu] por nuvens que passaram rápidas..." (Diná Silveira de Queirós, A muralha, p. 31)


Fontes: CEGALLA, Domingos Paschoal, Dicionário de Dificuldades da língua portuguesa, 3ª ed.,p. 341
BECHARA, Evanildo, Moderna Gramática Portuguesa, 37 ed. Revisada e Ampliada, p. 552)

quinta-feira, 31 de maio de 2012

DÚVIDAS FREQUENTES: VOU "A PÉ" ou "DE PÉ"?

 As expressões “a pé” e “de pé” são locuções adverbiais. Entretanto, cada qual exprime uma circunstância diferente.


 - A locução adverbial “a pé”, indica “meio”, da mesma forma que: de carro, de ônibus, de trem, de carroça e de avião; mas não aceita a preposição “de”. O mesmo acontece com a locução adverbial “a cavalo”.
Então:
As crianças foram de ônibus hoje, mas geralmente vão de carro
Por causa da greve dos trabalhadores de transporte urbano, ontem todos foram ao trabalho a pé.
Enquanto um foi a cavalo, o outro foi de avião.

Observação: O verbo “ir” indica movimento ou deslocamento de um lugar para outro, que pode ser feito “por impulso próprio ou dirigido, ou com ajuda de mecanismo, veículo, etc.”: Ele vai (de casa) para o trabalho (ou até a faculdade, etc.) de ônibus (ou a pé).   

- A locução adverbial “de pé”  indica posição, lugar onde está o ser de quem se fala. Ela tem os seguintes significados:

1.  "Em posição vertical, ereto, em pé": Ficamos de pé (ou em pé) durante toda a apresentação.
2. “Conforme combinado”: Nosso acordo está de pé.
3. "Firme, irredutível, sem mudar de ideia: Mantém-se de pé, em meio a tantas deserções e cambalachos políticos."


 Fontes: Dicionário Prático de Regência Verbal, de Celso Pedro Luft, p. 342, 343. Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, de Domingos Paschoal Cegalla, p. 122. Nossa Gramática Completa SACCONI: teoria e prática, p. 310 a314.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: "melhor" ou "mais bem"

"Melhor" ou "Mais bem"? Depende do contexto. Ambas as formas são comparativos de superioridade do advérbio "bem". Vejamos as diferenças entre elas:
  • "Melhor" é a forma sintética (uma só palavra) e é usada nos casos em que se compara uma mesma ação, praticada por:
a) sujeitos diferentes Exemplo: Minha amiga canta melhor que eu. b) um só sujeito Exemplo: Hoje cantei melhor.
  • "Mais bem" é a forma analítica (mais de uma palavra) e é usada em três situações:
1ª) Ao se comparar ações diferentes de uma mesma pessoa. Exemplo: Minha amiga canta mais bem que mal. 2ª) Diante de particípio. Exemplos: A lição foi mais bem compreendida nesta aula. Ele é o funcionário mais bem informado da empresa. Observação: o gramático Domingos Paschoal Cegalla, admite que antes de verbos no particípio (ido, ado), tanto é correto usar melhor como mais bem. Já Napoleão Mendes de Almeida afirma que "o mais seguro, antes de particípio, é redigir "mais bem ...". 3ª) Nos casos em que "bem" faz parte de adjetivo composto. Exemplos: mais bem-sucedido, mais bem-humorado, mais bem-aventurado, etc. Observação: tanto "melhor" como "pior" são comparativos dos adjetivos bom e mau e dos advérbios bem e mal. Atente-se, entretanto que "melhor" (mais bem) não varia, pois é advérbio: Eles estão falando melhor; e "melhor" (mais bom) é adjetivo, por isso, varia: Eles são os melhores alunos. Fontes: Gramática Metódica da Língua Portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida, p. 150 e 320. Dicionário de dificuldades da Língua Portuguesa, de Domingos Paschoal Cegalla, Ed. Lexicon.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: abreviaturas

Algumas abreviaturas oficiais de cargos, postos, funções ou títulos: 

Almirante: Alte e Alm.
Brigadeiro: Brig e Brig.°
Capitão: Cap, Cap.ão e Capt.
Comendador: Comdor., Com.dor, Comend. e Comor
Coronel: Cel, C.el e Cel
Conselheiro: Consel., Conselh. e Cons.°
Desembargador: Des.dor, Desemb. e Des.or
Digníssimo: DD. e Dig.mo 
Embaixador: Emb. e Embor
Engenheiro(a): Eng., Engº e Eng.ª
Engenheiro Civil: Eng. Cv.
Excelência: Exª, Ex.ª e Exª
Excelentíssima: Ex.ma 
Excelentíssimo: Exmo e Ex.mo
General: Gen, G.al e Gen.
Ilustríssima: Ilma.
Ilustríssimo: Ilmo. e Ilmo 
Juiz: J.z Juíza: J.za
Major: Maj.
Marechal: Mar, Mal. e M.al 
Mestra: M.ª
Mestre: M.e
Pós-escrito (Post Post Scriptum): P.S.
Professor: Prof.
Professora: Prof.ª
Professoras: Prof.as
Professores: Profs.
Sargento: SGT e Sarg.
Senhor: Snr., Sr, Sr e Sr.
Senhora: Sr.ª
Senhoras: Sr.as 
Senhores: Sres. e Srs.
Senhorita: Srta, Srta e Sr.ta
Tenente: Ten e Ten.
Tenente-Coronel: Ten Cel, Ten. Cel., T.te C.el e Tte-C.el 
Vossa Excelência: V. Ex.ª
Vossa Senhoria: V.S. e V.S.ª


Fonte: VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), 5ª edição; Dicionário de Formas de Tratamento, de Luiz Gonzaga Paul, Editora AGE, 2008.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: "à custa de "

A locução "à custa de" é invariável, ou seja, tem forma única, só se apresenta no singular e significa às expensas de, com sacrifício de. Exemplos: Consegui o emprego à custa de muito sacrifício. Certas empresas crescem à custa de esquemas ilícitos de faturamento. Como não trabalha, ele vive à custa do pai. A palavra custas é um termo jurídico que significa "despesas de um processo", previstas em lei e devidas pela formação de atos judiciais. Exemplos: Já que perdeu a causa, a empresa deve pagar as custas do processo. O total das custas será distribuído entre os litigantes vencidos.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: "á" existe?

Outro dia, alguns jovens me fizeram a seguinte pergunta: _ " existe? Um "á" pode ser uma palavra, com ou sem acento agudo (´), “a”, dependendo de sua classe gramatical. Também pode ser uma contração de duas palavras (a + a), mas aí aparecerá com um acento grave (`), "à". Observação: a letra "a" recebe um acento agudo, de acordo com as regras de acentação gráfica, quando é parte integrante de uma palavra, como: pássaro, está, já, fácil, metáfora, entre outras. Como palavra da Língua Portuguesa, "a" pode ser classificada da seguinte forma:
  • Substantivo masculino - "á", escrito isoladamente e com acento agudo (´), é o nome da letra “a”, ou seja, é uma palavra que nomeia a letra, da mesma forma que as palavras “jota” e “agá”, dão nome às letras “j” e “h”. Pode aparecer em expressões ou antecedido de um determinante (este, aquele, um, o). Exemplos: de á a zê, não saber á nem bê. Encontrei um á perdido naquela frase. Pode ser que se trate daquele á do qual falávamos.
  • Artigo definido. Exemplo: A rotina pode acabar com uma paixão, quando as obrigações não são divididas.
  • Preposição. Exemplo: Ainda estamos presos a certos preconceitos.
  • Pronome. Exemplo: Os garotos a encontraram em casa, envolvida nos braços da própria mãe. Nós as fotografamos e saímos.
  • Contração da preposição "a" com o artigo "a". Exemplo: Ninguém dava importância à menina no canto da sala até o momento em que ela se juntou às amigas.
Observação: note que tanto o artigo como o pronome "a" variam, ou seja, recebem um "s" quando passam para o plural. Já a preposição é invariável, ou seja, não há forma para ela no plural. Assim deduz-se por que não se pode crasear um "á" antes de palavra feminina no plural. Pois, neste caso, ele é apenas uma preposição. Se houvesse uma contração, haveria um artigo "a". Como este varia, obrigatoriamente apareceria no plural: Estamos presos a convenções. Estamos presos às convenções.

sábado, 30 de abril de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: "medio" ou "medeio"?

Em geral, os verbos terminados em -iar são regulares. É o caso de adiar, afiar, negociar, negligenciar, comerciar e premiar, por exemplo, que se conjugam "adio", "afio", "negocio", "negligencio", "comercio" e "premio". Mas o verbo "mediar" é um daqueles verbos irregulares entre os regulares, por isso, conjuga-se "medeio". Exemplo: Hoje sou eu que medeio o debate. São cinco os verbos irregulares entre os regulares terminados em -iar: mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar.*
Todos se conjugam como "odiar": medeio, anseio, remedeio, incendeio e odeio. * Para lembrar esses cinco verbos, grave a palavra "MARIO", composta pela inicial de cada um deles: Mediar, Ansiar, Remediar, Incendiar e Odiar. Fonte: Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra.

sexta-feira, 11 de março de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: "mais bem" ou "melhor"?

Algumas recomendações para empregar as formas "melhor" e "mais bem" * "Melhor" é a forma sintética (uma só palavra) para os comparativos de superioridade do advérbio "bem".
Exemplo: Hoje cantei melhor do que se esperava.
* "Mais bem" é a forma analítica (mais de uma palavra) e deve ser usada em três situações:
1ª) ao se comparar ações diferentes de uma mesma pessoa.
Exemplo: minha amiga canta mais bem que mal.
(caso a ação seja praticada por sujeitos diferentes, usa-se a forma sintética:Minha amiga canta melhor que eu).
2ª) diante de particípio.
Exemplos: A lição foi mais bem compreendida nesta aula. Ele é o funcionário mais bem informado da empresa.
Observação: o gramático Domingos Paschoal Cegalla, admite que antes de verbos na forma nominal do particípio, tanto é correto usar "melhor" como "mais bem". Já Napoleão Mendes de Almeida afirma que "o mais seguro, antes de particípio, é redigir "mais bem informado"..."; 3ª)nos casos em que "bem" faz parte de adjetivo composto.
Exemplos: mais bem-sucedido, mais bem-humorado, mais bem-aventurado, etc.
Fonte: Gramática Metódica da Língua Portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida.

terça-feira, 8 de março de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: "agente" e "a gente"

O termo "agente" e a expressão "a gente" possuem sentidos bem diferentes.
"agente" é a pessoa que atua, opera ou agencia; um comissário, emissário: agente secreto, agente policial, agente diplomático, agente de viagens; um espião; pode ser também um aditivo ou reagente químico.
"a gente" é uma expressão, usada informalmente, no lugar de:
- "nós": Falei com a Maria ontem, quando a gente se encontrou no ônibus.
- "a pessoa que fala"(eu): Você não tem ideia do que é a gente ficar aqui sozinho o dia todo.
- "povo", "multidão", "turma" ou "pessoal"; "o ser humano em geral":
"A gente não quer só comida
A gente quer comida diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída para qualquer parte..."
(Comida, música de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sergio Britto, grupo Titãs)
Fontes: Gramática Metódica da Língua Portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida, p. 174. Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, p. 296. Nossa Gramática Completa Sacconi: teoria e prática, p. 217.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: vírgula antes de "etc."

Há muitas regras que provocam discordância entre linguistas e gramáticos e entre eles próprios. Um exemplo disso é a pontuação diante de "etc.", a abreviatura da expressão latina et coetera, que significa "e outras coisas". Alguns afirmam que não se deve colocar uma vírgula antes dessa abreviatura, pois o "e" inicial dela seria o elemento de ligação com o último termo de uma sequência. Exemplo: Compram-se moedas antigas, selos, figurinhas etc. O gramático Pasquale Cipro Neto não a usa,nem o lexicógrafo Houaiss. Todavia, o uso da vírgura é abonado pela Academia Brasileira de Letras e por filólogos e gramáticos, como Aurélio, Celso Cunha e Bechara. Assim: Compram-se moedas antigas, selos, figurinhas, etc. Fonte: Dicionário de Dificuldades da Língua Porguesa, de Domingos Paschoal Cegalla.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: a palavra "mesmo"

NÃO SE USA "MESMO" para retomar uma pessoa, ou lugar, ou objeto citados em um texto ou discurso. A palavra "mesmo" empregada-se no sentido de "ele próprio". Exemplos: Foi João mesmo quem trouxe o cachorro para casa. (o próprio João) Quis comprar tudo sozinha. Agora ela mesma é que faça a documentação necessária.(ela própria) Quando saímos do hotel, nós mesmos tivemos que levar as bagagens até o carro. (nós próprios) Obs.: "mesmo" concorda em número e pessoa com o termo que acompanha. Portanto, estão errados os seguintes usos da palavra "mesmo": João foi ao supermercado. O mesmo trouxe muitas compras. A empresa contratou uma diretora com nova visão de mercado. A mesma iniciará suas atividades na próxima semana. Nestes últimos casos, pode-se substituir o referente (João, uma diretora) pelos pronomes ele, ela, ou fazer uma substituição vocabular, ou seja, fazer a troca por outra palavra equivalente, ou por uma característica desse referente. Exemplos: João foi ao supermercado. Ele (ou o gastador) trouxe muitas coisas. A empresa contratou uma diretora com nova visão de mercado. Ela (ou a novata) iniciará suas atividades na próxima semana. "Mesmo" também pode funcionar como pronome neutro em frases, como:
"Isso é o mesmo que lhe disse"
"O mesmo ouvi eu de você ontem" (= é a mesma coisa)
Fonte: Gramática Metódica da Língua Portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida, p. 185

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: "chapéus" e " pastéis"

Já aconteceu com você de ficar na dúvida se o plural de "chapéu" é "chapéis" ou "chapéus"? Veja por que só pode ser "chapéus". A formação do plural das palavras que nomeiam seres, ou seja, de substantivos simples, depende da terminação delas no singular.
- Quando terminam em "vogal" ou "ditongo" no singular, no plural, acrescenta-se "s". Exemplos:
mesa - mesas boné - bonés saci - sacis tinteiro - tinteiros urubu - urubus lei - leis chapéu - chapéus
- Quando terminam em "-al", "-el", "-ol" e "-ul", deve-se substituir, no plural, o "-l" por "-is". Exemplos:
animal - animais papel - papéis móvel - móveis
paul - pauis

Exceções: "mal", "real" (moeda), "cônsul" e seus derivados, que passam para "males", "réis", "cônsules" e "procônsules", "vice-cônsules"...

- Quando terminam em "-il", o plural depende da acentuação também: *** Se a palavra tiver a última sílaba tônica (oxítona), muda-se o

"-l" pelo "s". Exemplos:
barril - barris covil - covis funil - funis fuzil - fuzis
Observações: 1) existe o plural "brasis", quando se quer fazer referência a regiões brasileiras ou tipos de Brasil; 2) o plural "Prêmios Nobéis" só se usa no sentido figurado. Exemplo: Dois Prêmios Nobéis estão aí conversando animadamente. *** Se a palavra tiver a penúltima sílaba forte (paroxítona), substitui-se a terminação "-il" por "-eis". Exemplos:
fóssil - fósseis réptil - répteis
Fonte: Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: "traz" e "trás"

AS DIFERENÇAS ENTRE AS PALAVRAS "TRAZ" e "TRÁS" - "TRAZ" é uma flexão do verbo "TRAZER" (terceira pessoa do singular do Presente do Indicativo). A forma no plural é "trazem". Exemplos: Essa música me traz boas recordações. O carteiro sempre nos traz a correspondência em dia. - "TRÁS" é um advérbio que indica "posição". É uma palavra invariável, ou seja, não existe no plural. Significa depois de, após, atrás, detrás. Exemplo: Faça a volta por trás da casa e o surpreenda. Observações: - escrevem-se com"s" também: atrasar, atraso, traseira, detrás, atrás etc; - "trás" também pode ser preposição. Entretanto, como informa o gramático Luiz Antônio Sacconi, "no português contemporâneo, a preposição "trás" não se usa senão nas locuções adverbiais "para trás" e "por trás" (ficar para trás, chegar por trás) e na locução prepositiva "por trás de" (ficar por trás do muro). Além disso, o dicionário Houaiss registra que o termo "trás" também pode ser classificado como interjeição "usada para reproduzir o ruído de uma pancada".

terça-feira, 30 de novembro de 2010

DÚVIDAS FREQUENTES: "um" é numeral e artigo

A principal diferença entre o numeral cardinalum” e o artigo indefinidoum” é justamente a função de cada um deles. O numeral cardinalum” indica quantidade exata de seres, lugares ou coisas. Adminte o acréscimo dos termos " só", "somente" ou "apenas". Exemplo: O atleta trouxe um uniforme para todos os jogos. (isto é: um só uniforme) O artigo indefinidoum” generaliza o termo que acompanha, ou seja, determina-o de modo vago. Aceita o acréscimo do termo "qualquer". Exemplo: Achei um brinco na calçada. (ou seja, um brinco qualquer) Veja a diferença: Estava procurando meus brincos. Encontrei um na calçada. (aqui "um" está expressando a quantidade, no exemplo anterior, "um" somente generaliza o objeto) É possível perceber a diferença entre eles em um contexto, passando-os para o plural. Se o plural de "um" for "uns", é artigo; se for "dois", "três"..., é numeral. Veja as recomendações do gramático Napoleão Mendes de Almeida: - “um, quando cardinal, indica realmente número e tem por plural dois; na prática, descobre-se que um é cardinal quando admitir o acréscimo de , único: Um (só) homem é bastante para erguer isso”. - “quando indefinido, um tem por plural uns e admite, por contraposição, o adjetivo outro: “Fiquei conhecendo hoje um homem, de que há muito ouvi falar”. Fonte: Gramática Metódica da Língua Portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida, p. 160.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

DÚVIDAS FREQUENTES: "onde" e "aonde"

Que a palavra "onde" designa "lugar", já vimos na postagem do dia 14/09/2009. Mas e quando a dúvida é: usar "onde" ou "aonde"? Neste caso, veja as diferenças de uso: ONDE Usa-se com verbos que NÃO indicam movimento. Refere-se a "lugar em que se está ou se fica" (em que lugar). Exemplos: Onde mora a sua família? Não sei onde meu chefe se encontra neste momento. A rua onde moramos é muito agitada. Observação: com verbos que indicam movimento, só se usa "onde" nos casos em que este já vem precedido de uma preposição, como de, até, para ou por. Exemplos: Você viu até onde ele foi? Só podemos passar por onde a tinta está seca. Não sei de onde saiu este carro. Amanhã iremos para onde a Joana quer. AONDE Emprega-se com verbos que indicam movimento, deslocamento, pois tais verbos exigem a preposição "a", a qual se une ao "onde". Equivale a "a que lugar", "para que lugar". Exemplos: Aonde você quer chegar? Aonde ele pensa que vai com essa caixa? Ele sabe aonde essa atitude o levará? Fonte de consulta: Dicionário de dificuldades da língua portuguesa, de Domingos Paschoal Cegalla, 3ª ed. de acordo com a nova ortografia.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

DÚVIDAS FREQUENTES: "a presidente" ou "presidenta"

Qual é o feminino da palavra "PRESIDENTE": "A PRESIDENTE" ou "PRESIDENTA" ? As duas formas estão registradas em dicionários de Língua Portuguesa no Brasil, embora a mais usual seja "a presidente". Acontece que,em geral, os substantivos terminados em -e e, especialmente, em -nte, têm formas iguais tanto para o gênero masculino como para o feminino. Exemplos: cliente, estudante, servente. "Há, porém, um pequeno número que, à semelhança da substituição -o (masculino) por -a (feminino), troca o -e por -a. Assim: elefante - elefanta governante - governanta infante - infanta mestre - mestra monge - monja parente - parenta Observação: Os femininos giganta (de gigante), hóspeda (de hóspede) e presidenta (de presidente) têm ainda curso restrito no idioma." (CUNHA, Celso & CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 194) Outras fontes de consulta: Nossa Gramática Completa Sacconi, 29ª ed. p. 133. Gramática Metódica da Língua Portuguesa, Napoleão Mendes de Almeida, 45ª ed. p.104. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, p. 2292.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

DÚVIDAS FREQUENTES: "os porquês"

POR QUE, POR QUÊ, PORQUE OU PORQUÊ?

Quando usar cada uma das formas acima?

Usa-se:

Por que - em perguntas diretas ou indiretas (não havendo pontuação em seguida); indica "causa", "motivo", "razão"; pode ser substituído por "pelo qual" e "para que". Exemplos: Por que as pessoas se envolvem com drogras? (por que motivo) Os alunos não explicaram por que faltaram àquela aula. (por que razão) Grandes são as transformações por que vêm passando as cidades. (pelas quais) Estavam ansiosos por que ela voltasse. (para que) Por quê - em final de frase ou pausa acentuada, quando a palavra "que" passa a ser tônica. Exemplos: Estava triste sem saber por quê. Apareceu no meio da multidão sem saber por quê. Ninguém gosta dele. Por quê? Não sabia por quê, mas queria sair o mais rápido possível. Porque - em respostas, apresentando uma explicação; equivale a "pois"; aparece também nas perguntas que expressam uma causa possível, limitando a resposta a SIM ou NÃO. Exemplos: Chegamos atrasados porque o trânsito estava congestionado. Acho que aquela garota está com frio, porque treme o tempo todo. O motorista foi preso porque subornou o guarda? Porquê - quando é substantivo; sinônimo de "causa", "motivo" ou "razão", sendo acentuado porque é palavra tônica; vem antecedido de um determinante: artigo, numeral, pronome. Exemplos: O pai não quis explicar os porquês de sua decisão. Todos temos alguns porquês para nos justificar . Talvez aceite seus porquês.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

DÚVIDAS FREQUENTES: "há" e "a"

Veja como é fácil identificar a diferença de uso entre as formas "" e "a": * - é o verbo haver no passado e pode ser substituído por faz. Exemplos: dias não o vejo. O diretor assumiu o cargo mais de um ano. A escravidão não deveria existir mais de dois séculos. * a - é uma preposição que pode exprimir: tempo futuro e distância. Exemplos: Será inaugurada uma nova escola daqui a dois meses. Meu amigo será operado daqui a uma semana. Estamos a pouco tempo das eleições. O leão está a dois metros de sua presa. Daqui a cinco quilômetros chegaremos ao nosso destino. Observação: a palavra a também pode ser artigo: A casa caiu. Abri a porta. ou pronome: Esta casa é a que caiu. Todos os dias, eu a limpava.