terça-feira, 8 de março de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: "agente" e "a gente"

O termo "agente" e a expressão "a gente" possuem sentidos bem diferentes.
"agente" é a pessoa que atua, opera ou agencia; um comissário, emissário: agente secreto, agente policial, agente diplomático, agente de viagens; um espião; pode ser também um aditivo ou reagente químico.
"a gente" é uma expressão, usada informalmente, no lugar de:
- "nós": Falei com a Maria ontem, quando a gente se encontrou no ônibus.
- "a pessoa que fala"(eu): Você não tem ideia do que é a gente ficar aqui sozinho o dia todo.
- "povo", "multidão", "turma" ou "pessoal"; "o ser humano em geral":
"A gente não quer só comida
A gente quer comida diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída para qualquer parte..."
(Comida, música de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sergio Britto, grupo Titãs)
Fontes: Gramática Metódica da Língua Portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida, p. 174. Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, p. 296. Nossa Gramática Completa Sacconi: teoria e prática, p. 217.

terça-feira, 1 de março de 2011

VOCÊ SABIA? "CHINELO" E "CHINELA"

VOCÊ SABIA que as palavras "CHINELO" e "CHINELA" têm a mesma origem e se equivalem?
Ambas provêm do latim medieval planella, de planus, a, um "plano", por influência do dialeto genovês cianella (do italiano pianella, diminutivo de piano "plano").
Tanto "CHINELO" como "CHINELA" referem-se a um calçado confortável, sem salto ou com um salto baixo, deixando o calcanhar livre e usado dentro de casa.
Características particulares dessas palavras:
- "CHINELA" é também um calçado pequeno típico de certos trajes regionais.
- "CHINELO" é também um calçado de borracha, com tiras, geralmente usado em dias quentes.
- Em Portugal, chinelas é o termo usado para sapatos de quarto.
- A forma ortográfica chinella surgiu primeiro, no Século XV.
- A forma chinello só apareceu em 1738.
Fonte: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, p. 701.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

NOVA ORTOGRAFIA: "não" e "quase"

De acordo com as novas regras ortográficas, NÃO SE EMPREGA O HÍFEN com as palavras "não" e "quase", quando elas exercem função de prefixo.
Exemplos:
não agressão
não beligerante
não fumante
não violência
não participação
não periódico
quase delito
quase equilíbrio
quase domicílio

Fonte: O que muda com o NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO, de Evanildo Bechara, p. 58.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: vírgula antes de "etc."

Há muitas regras que provocam discordância entre linguistas e gramáticos e entre eles próprios. Um exemplo disso é a pontuação diante de "etc.", a abreviatura da expressão latina et coetera, que significa "e outras coisas". Alguns afirmam que não se deve colocar uma vírgula antes dessa abreviatura, pois o "e" inicial dela seria o elemento de ligação com o último termo de uma sequência. Exemplo: Compram-se moedas antigas, selos, figurinhas etc. O gramático Pasquale Cipro Neto não a usa,nem o lexicógrafo Houaiss. Todavia, o uso da vírgura é abonado pela Academia Brasileira de Letras e por filólogos e gramáticos, como Aurélio, Celso Cunha e Bechara. Assim: Compram-se moedas antigas, selos, figurinhas, etc. Fonte: Dicionário de Dificuldades da Língua Porguesa, de Domingos Paschoal Cegalla.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: a palavra "mesmo"

NÃO SE USA "MESMO" para retomar uma pessoa, ou lugar, ou objeto citados em um texto ou discurso. A palavra "mesmo" empregada-se no sentido de "ele próprio". Exemplos: Foi João mesmo quem trouxe o cachorro para casa. (o próprio João) Quis comprar tudo sozinha. Agora ela mesma é que faça a documentação necessária.(ela própria) Quando saímos do hotel, nós mesmos tivemos que levar as bagagens até o carro. (nós próprios) Obs.: "mesmo" concorda em número e pessoa com o termo que acompanha. Portanto, estão errados os seguintes usos da palavra "mesmo": João foi ao supermercado. O mesmo trouxe muitas compras. A empresa contratou uma diretora com nova visão de mercado. A mesma iniciará suas atividades na próxima semana. Nestes últimos casos, pode-se substituir o referente (João, uma diretora) pelos pronomes ele, ela, ou fazer uma substituição vocabular, ou seja, fazer a troca por outra palavra equivalente, ou por uma característica desse referente. Exemplos: João foi ao supermercado. Ele (ou o gastador) trouxe muitas coisas. A empresa contratou uma diretora com nova visão de mercado. Ela (ou a novata) iniciará suas atividades na próxima semana. "Mesmo" também pode funcionar como pronome neutro em frases, como:
"Isso é o mesmo que lhe disse"
"O mesmo ouvi eu de você ontem" (= é a mesma coisa)
Fonte: Gramática Metódica da Língua Portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida, p. 185

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

NOVA ORTOGRAFIA: hífen nos encadeamentos vocabulares

Pelas regras do Novo Acordo Ortográfico, usa-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que, em sequência, formam não propriamente vocábulos (palavras), mas encadeamentos vocabulares. Exemplos:
a divisa Liberdade-Igualdade-Fraternidade
a ponte Rio-Niterói
o percurso Lisboa-Coimbra-Porto
a ligação Angola-Moçambique
Emprega-se o hífen também nas combinações históricas ou mesmo ocasionais de topônimos (nomes geográficos).
Exemplos:
Austro-Hungria
Alsácia-Lorena
Angola-Brasil
Tóquio-Rio de Janeiro
Fonte: "O que muda com o Novo Acordo Ortográfico, de Evanildo Bechara.

DÚVIDAS FREQUENTES: "chapéus" e " pastéis"

Já aconteceu com você de ficar na dúvida se o plural de "chapéu" é "chapéis" ou "chapéus"? Veja por que só pode ser "chapéus". A formação do plural das palavras que nomeiam seres, ou seja, de substantivos simples, depende da terminação delas no singular.
- Quando terminam em "vogal" ou "ditongo" no singular, no plural, acrescenta-se "s". Exemplos:
mesa - mesas boné - bonés saci - sacis tinteiro - tinteiros urubu - urubus lei - leis chapéu - chapéus
- Quando terminam em "-al", "-el", "-ol" e "-ul", deve-se substituir, no plural, o "-l" por "-is". Exemplos:
animal - animais papel - papéis móvel - móveis
paul - pauis

Exceções: "mal", "real" (moeda), "cônsul" e seus derivados, que passam para "males", "réis", "cônsules" e "procônsules", "vice-cônsules"...

- Quando terminam em "-il", o plural depende da acentuação também: *** Se a palavra tiver a última sílaba tônica (oxítona), muda-se o

"-l" pelo "s". Exemplos:
barril - barris covil - covis funil - funis fuzil - fuzis
Observações: 1) existe o plural "brasis", quando se quer fazer referência a regiões brasileiras ou tipos de Brasil; 2) o plural "Prêmios Nobéis" só se usa no sentido figurado. Exemplo: Dois Prêmios Nobéis estão aí conversando animadamente. *** Se a palavra tiver a penúltima sílaba forte (paroxítona), substitui-se a terminação "-il" por "-eis". Exemplos:
fóssil - fósseis réptil - répteis
Fonte: Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra.