segunda-feira, 15 de abril de 2013

DEMAIS e DE MAIS

Como se escreve: DEMAIS junto ou DE MAIS separado?

Na fala, não fazemos diferença entre “demais” e “de mais”, até porque o contexto ajuda a esclarecer o sentido de cada uma dessas expressões.
Entretanto, na hora de escrever essas palavras, surge a dúvida: elas devem ser escritas juntas ou separadas?

A diferença de sentido entre elas  é que vai determinar a forma como nós as iremos escrever.

DEMAIS (junto) equivale a:

- “muito” (advérbio de intensidade).
Exemplos:
Os alunos aborreceram-me demais na última aula.
Estou bem demais para me deixar afetar por isso.

  - “ os outros” ou  “os restantes” (pronome indefinido).  

Exemplos:
Não estou em condições de decidir sobre a pauta. Então deixo aos demais a escolha dos temas a serem tratados na próxima reunião.
Pode ser que os demais membros da comissão não aprovem a nossa resolução.

DE MAIS  (separado) equivale a “demasiado”, excessivo, de resto, de sobra, a mais. É uma oposição a “de menos” e refere-se (acompanha) a substantivos ou pronomes. Neste caso é uma locução adjetiva.

Exemplos:
O concurso foi suspenso, porque surgiram candidatos de mais.
Nesse departamento há uma contradição: trabalho de mais e trabalhadores de menos.
Seja comedido na alimentação, pois tudo que é de mais prejudica a sua saúde.
Não há motivos para preocupação. Neste momento, não estou vendo nada de mais em seus exames.




quinta-feira, 14 de março de 2013

Meio Ambiente: com ou sem hífen?

A expressão "MEIO AMBIENTE" tem ou não hífen?

Essa é uma dúvida de muitas pessoas, mesmo antes das discussões sobre a Nova Ortografia.

Entretanto, a expressão "meio ambiente" não forma uma palavra composta
Por isso, não segue as regras de colocação de hífen.

O mesmo se dá com:

meio magnético
meio circulante
meio geográfico

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

DÚVIDAS FREQUENTES: concordância nas expressões de porcentagens

Com expressões numéricas de porcentagem, o verbo fica no singular ou vai para o plural?

Depende do caso, pois a concordância verbal nas expressões de porcentagem pode dar-se:

1) com o termo antecedido de preposição, aquele que especifica a porcentagem, em geral um substantivo;

Exemplos:

50% dos alunos chegaram atrasados.
10% das crianças estavam acamadas.
30% dos brasileiros assistiram à transmissão da Copa.
1% dos convidados não vieram à festa.

40% da produção é exportada.
30% da população assistiu à transmissão da Copa.

2) com um artigo, ou um  pronome, ou um adjetivo que antecede a porcentagem;

 Exemplos:

Os 30% da população assistiram à transmissão da Copa.
Esses 5% da boiada morreram na enchente.
Bons 90% do eleitorado compareceram às urnas.

3) Com o numeral:

a) quando a expressão que indica porcentagem não é seguida de substantivo;

Exemplos:
25% querem a mudança.
1% conhece o assunto.” 

b) se o  verbo estiver antes do percentual.

Exemplos:
Faltaram às aulas 15% dos acadêmicos.
Não realizou a prova 1% dos candidatos.



Fontes: Gramática da Língua Portuguesa, de Pasquale & Ulisses, p. 483.Gramática Metódica da Língua Portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida, p. 414. Moderna Gramática  Portuguesa, de Evanildo Bechara, 37 ed., p. 566.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

NOVA ORTOGRAFIA: ADIADA DATA DEFINITIVA DA ENTRADA EM VIGOR DO ACORDO ORTOGRÁFICO


O Governo Federal adia para 2016 a entrada em vigor do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.


O novo prazo, 1º de janeiro de 2016, está registrado no Decreto Presidencial 7875/2012, assinado pela presidente Dilma Rousseff e publicado no Diário Oficial da União, em 28 dezembro de 2012.

A decisão surpreendeu o país, pois a obrigatoriedade da unificação ortográfica já estava prevista, desde 30 de setembro 2008 (decreto 6.583/08), para entrar em vigor em janeiro de 2013.  E, em função disso, as novas regras passaram a ser utilizadas a partir de 2009, mesmo em caráter não obrigatório.

Assim a “nova ortografia” vinha sendo empregada em materiais de divulgação, livros, periódicos, revistas de grande circulação, além de ter sido adotada em concursos públicos, inclusive pelo ENEM.

Da mesma forma, a adequação dos livros didáticos teve início em 2009, ao iniciar-se o período de transição.

Mas, para a senadora Ana Amélia (PP-RS), o tempo de adaptação às novas regras era curto, e “[...] a prorrogação do prazo permite esclarecer as dúvidas sobre as novas regras, além de ampliar o debate e aprofundar o entendimento entre especialistas, educadores e estudantes. Ela participou da definição do novo prazo, integrando o grupo interministerial formado por representantes dos Ministérios das Relações Exteriores, da Educação e da Casa Civil.”

Portanto, a partir da promulgação do decreto 7.875/2012 até 31 de dezembro de 2015,  as duas normas coexistirão, a norma ortográfica atualmente em vigor e a que foi estabelecida pelo acordo, assinado em 1990 e ratificado pelo governo brasileiro em setembro de 2008.

LEIA TAMBÉM:  Síntese da Cronologia do Novo Acordo Ortográfico

terça-feira, 19 de junho de 2012

DÚVIDAS FREQUENTES: "A CERVEJA QUE DESCE REDONDO ou REDONDA?"

Há divergências nas opiniões a respeito dessa questão.

Alguns gramáticos afirmam que há erro na sentença "A CERVEJA QUE DESCE REDONDO". Para eles, a palavra "redondo" é um adjetivo que se refere ao substantivo "cerveja", por isso, deveria concordar em  gênero com ele, ou seja, ficar no feminino _ "redonda".

Entretanto, outros gramáticos consideram que "redondo" é um advérbio e se refere ao verbo "descer", portanto, que está correta a concordância no masculino.

Evanildo Bechara, por exemplo, afirma que "na língua portuguesa atual, a tendência é para nestes casos [de alternância entre adjetivo e advérbio] proceder dentro da estrita regra da gramática e usar tais termos sem flexão, adverbialmente." (grifo nosso)

Por outro lado, Domingos Paschoal Cegalla considera que: "ambas as concordâncias são corretas".

Exemplos a favor do masculino:

"A mãe ia lá dentro e chorava escondido." (Autran Dourado, Armas e corações, p. 10)
"José Dias ria largo..." (Machado de Assis, Dom Casmurro, cap. V)

Exemplos a favor do feminino:

"Dona Eusébia entrou inesperadamente, mas não tão súbita que nos apanhasse ao pé um do outro." (Machado de Assis, Brás Cubas, p. 169)"

Rasgado [o azul do céu] por nuvens que passaram rápidas..." (Diná Silveira de Queirós, A muralha, p. 31)


Fontes: CEGALLA, Domingos Paschoal, Dicionário de Dificuldades da língua portuguesa, 3ª ed.,p. 341
BECHARA, Evanildo, Moderna Gramática Portuguesa, 37 ed. Revisada e Ampliada, p. 552)

quinta-feira, 31 de maio de 2012

DÚVIDAS FREQUENTES: VOU "A PÉ" ou "DE PÉ"?

 As expressões “a pé” e “de pé” são locuções adverbiais. Entretanto, cada qual exprime uma circunstância diferente.


 - A locução adverbial “a pé”, indica “meio”, da mesma forma que: de carro, de ônibus, de trem, de carroça e de avião; mas não aceita a preposição “de”. O mesmo acontece com a locução adverbial “a cavalo”.
Então:
As crianças foram de ônibus hoje, mas geralmente vão de carro
Por causa da greve dos trabalhadores de transporte urbano, ontem todos foram ao trabalho a pé.
Enquanto um foi a cavalo, o outro foi de avião.

Observação: O verbo “ir” indica movimento ou deslocamento de um lugar para outro, que pode ser feito “por impulso próprio ou dirigido, ou com ajuda de mecanismo, veículo, etc.”: Ele vai (de casa) para o trabalho (ou até a faculdade, etc.) de ônibus (ou a pé).   

- A locução adverbial “de pé”  indica posição, lugar onde está o ser de quem se fala. Ela tem os seguintes significados:

1.  "Em posição vertical, ereto, em pé": Ficamos de pé (ou em pé) durante toda a apresentação.
2. “Conforme combinado”: Nosso acordo está de pé.
3. "Firme, irredutível, sem mudar de ideia: Mantém-se de pé, em meio a tantas deserções e cambalachos políticos."


 Fontes: Dicionário Prático de Regência Verbal, de Celso Pedro Luft, p. 342, 343. Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, de Domingos Paschoal Cegalla, p. 122. Nossa Gramática Completa SACCONI: teoria e prática, p. 310 a314.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

VOCÊ SABIA? A origem da palavra "assassino"

A origem da palavra ASSASSINO está ligada ao nome de uma pessoa, Hassan Sabbah, persa que fundou uma seita xiita ismaelita, cujos membros assassinavam chefes cristãos ou sunitas depois de consumirem haxixe.

Segundo a lenda, na época das Cruzadas, os fanáticos ismaelitas atacavam os cristãos ou outros inimigos de sua fé, em quadrilhas, quando estavam sob a influência da droga.
No século XI, os membros dessa seita ou tribo, provenientes do Norte do Irã, eram conhecidos por “haxxixin” ou “hashishin”, que significa consumidor de haxixe. Assim, os que fumavam “hashish” eram “assassinos”.

Daí a relação com o nome de Hassan ibn al-Sabbah (1034. 1124), chamado por Marco Pólo de “Velho das Montanhas”. Este visionário nizari, da seita ismaelita iraniana, converteu uma aldeia inteira, chamada Alamut e localizada nas montanhas Alborz, no Norte do Irã. Sendo ele o fundador de um dos grupos de “Hashshin”, seu nome aparece ligado a tais “assassinos”.


A etimologia do termo ASSASSINO vem do árabe haxxixin, “consumidor de haxixe”, palavra árabe que significa erva, derivada de haxis “cânhamo”; do persa hassassin, conforme o descrito acima; do italiano assassino “homicida” (a1321); “há quem acredite na interveniência do francês assassin (sXIII sob a forma assasis, 1560 sob a forma assassin)".

Fonte: Dicionário Houaiss da língua portuguesa, Ed. Objetiva, p. 319.