quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

DÚVIDAS FREQUENTES: concordância nas expressões de porcentagens

Com expressões numéricas de porcentagem, o verbo fica no singular ou vai para o plural?

Depende do caso, pois a concordância verbal nas expressões de porcentagem pode dar-se:

1) com o termo antecedido de preposição, aquele que especifica a porcentagem, em geral um substantivo;

Exemplos:

50% dos alunos chegaram atrasados.
10% das crianças estavam acamadas.
30% dos brasileiros assistiram à transmissão da Copa.
1% dos convidados não vieram à festa.

40% da produção é exportada.
30% da população assistiu à transmissão da Copa.

2) com um artigo, ou um  pronome, ou um adjetivo que antecede a porcentagem;

 Exemplos:

Os 30% da população assistiram à transmissão da Copa.
Esses 5% da boiada morreram na enchente.
Bons 90% do eleitorado compareceram às urnas.

3) Com o numeral:

a) quando a expressão que indica porcentagem não é seguida de substantivo;

Exemplos:
25% querem a mudança.
1% conhece o assunto.” 

b) se o  verbo estiver antes do percentual.

Exemplos:
Faltaram às aulas 15% dos acadêmicos.
Não realizou a prova 1% dos candidatos.



Fontes: Gramática da Língua Portuguesa, de Pasquale & Ulisses, p. 483.Gramática Metódica da Língua Portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida, p. 414. Moderna Gramática  Portuguesa, de Evanildo Bechara, 37 ed., p. 566.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

NOVA ORTOGRAFIA: ADIADA DATA DEFINITIVA DA ENTRADA EM VIGOR DO ACORDO ORTOGRÁFICO


O Governo Federal adia para 2016 a entrada em vigor do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.


O novo prazo, 1º de janeiro de 2016, está registrado no Decreto Presidencial 7875/2012, assinado pela presidente Dilma Rousseff e publicado no Diário Oficial da União, em 28 dezembro de 2012.

A decisão surpreendeu o país, pois a obrigatoriedade da unificação ortográfica já estava prevista, desde 30 de setembro 2008 (decreto 6.583/08), para entrar em vigor em janeiro de 2013.  E, em função disso, as novas regras passaram a ser utilizadas a partir de 2009, mesmo em caráter não obrigatório.

Assim a “nova ortografia” vinha sendo empregada em materiais de divulgação, livros, periódicos, revistas de grande circulação, além de ter sido adotada em concursos públicos, inclusive pelo ENEM.

Da mesma forma, a adequação dos livros didáticos teve início em 2009, ao iniciar-se o período de transição.

Mas, para a senadora Ana Amélia (PP-RS), o tempo de adaptação às novas regras era curto, e “[...] a prorrogação do prazo permite esclarecer as dúvidas sobre as novas regras, além de ampliar o debate e aprofundar o entendimento entre especialistas, educadores e estudantes. Ela participou da definição do novo prazo, integrando o grupo interministerial formado por representantes dos Ministérios das Relações Exteriores, da Educação e da Casa Civil.”

Portanto, a partir da promulgação do decreto 7.875/2012 até 31 de dezembro de 2015,  as duas normas coexistirão, a norma ortográfica atualmente em vigor e a que foi estabelecida pelo acordo, assinado em 1990 e ratificado pelo governo brasileiro em setembro de 2008.

LEIA TAMBÉM:  Síntese da Cronologia do Novo Acordo Ortográfico

terça-feira, 19 de junho de 2012

DÚVIDAS FREQUENTES: "A CERVEJA QUE DESCE REDONDO ou REDONDA?"

Há divergências nas opiniões a respeito dessa questão.

Alguns gramáticos afirmam que há erro na sentença "A CERVEJA QUE DESCE REDONDO". Para eles, a palavra "redondo" é um adjetivo que se refere ao substantivo "cerveja", por isso, deveria concordar em  gênero com ele, ou seja, ficar no feminino _ "redonda".

Entretanto, outros gramáticos consideram que "redondo" é um advérbio e se refere ao verbo "descer", portanto, que está correta a concordância no masculino.

Evanildo Bechara, por exemplo, afirma que "na língua portuguesa atual, a tendência é para nestes casos [de alternância entre adjetivo e advérbio] proceder dentro da estrita regra da gramática e usar tais termos sem flexão, adverbialmente." (grifo nosso)

Por outro lado, Domingos Paschoal Cegalla considera que: "ambas as concordâncias são corretas".

Exemplos a favor do masculino:

"A mãe ia lá dentro e chorava escondido." (Autran Dourado, Armas e corações, p. 10)
"José Dias ria largo..." (Machado de Assis, Dom Casmurro, cap. V)

Exemplos a favor do feminino:

"Dona Eusébia entrou inesperadamente, mas não tão súbita que nos apanhasse ao pé um do outro." (Machado de Assis, Brás Cubas, p. 169)"

Rasgado [o azul do céu] por nuvens que passaram rápidas..." (Diná Silveira de Queirós, A muralha, p. 31)


Fontes: CEGALLA, Domingos Paschoal, Dicionário de Dificuldades da língua portuguesa, 3ª ed.,p. 341
BECHARA, Evanildo, Moderna Gramática Portuguesa, 37 ed. Revisada e Ampliada, p. 552)

quinta-feira, 31 de maio de 2012

DÚVIDAS FREQUENTES: VOU "A PÉ" ou "DE PÉ"?

 As expressões “a pé” e “de pé” são locuções adverbiais. Entretanto, cada qual exprime uma circunstância diferente.


 - A locução adverbial “a pé”, indica “meio”, da mesma forma que: de carro, de ônibus, de trem, de carroça e de avião; mas não aceita a preposição “de”. O mesmo acontece com a locução adverbial “a cavalo”.
Então:
As crianças foram de ônibus hoje, mas geralmente vão de carro
Por causa da greve dos trabalhadores de transporte urbano, ontem todos foram ao trabalho a pé.
Enquanto um foi a cavalo, o outro foi de avião.

Observação: O verbo “ir” indica movimento ou deslocamento de um lugar para outro, que pode ser feito “por impulso próprio ou dirigido, ou com ajuda de mecanismo, veículo, etc.”: Ele vai (de casa) para o trabalho (ou até a faculdade, etc.) de ônibus (ou a pé).   

- A locução adverbial “de pé”  indica posição, lugar onde está o ser de quem se fala. Ela tem os seguintes significados:

1.  "Em posição vertical, ereto, em pé": Ficamos de pé (ou em pé) durante toda a apresentação.
2. “Conforme combinado”: Nosso acordo está de pé.
3. "Firme, irredutível, sem mudar de ideia: Mantém-se de pé, em meio a tantas deserções e cambalachos políticos."


 Fontes: Dicionário Prático de Regência Verbal, de Celso Pedro Luft, p. 342, 343. Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, de Domingos Paschoal Cegalla, p. 122. Nossa Gramática Completa SACCONI: teoria e prática, p. 310 a314.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

VOCÊ SABIA? A origem da palavra "assassino"

A origem da palavra ASSASSINO está ligada ao nome de uma pessoa, Hassan Sabbah, persa que fundou uma seita xiita ismaelita, cujos membros assassinavam chefes cristãos ou sunitas depois de consumirem haxixe.

Segundo a lenda, na época das Cruzadas, os fanáticos ismaelitas atacavam os cristãos ou outros inimigos de sua fé, em quadrilhas, quando estavam sob a influência da droga.
No século XI, os membros dessa seita ou tribo, provenientes do Norte do Irã, eram conhecidos por “haxxixin” ou “hashishin”, que significa consumidor de haxixe. Assim, os que fumavam “hashish” eram “assassinos”.

Daí a relação com o nome de Hassan ibn al-Sabbah (1034. 1124), chamado por Marco Pólo de “Velho das Montanhas”. Este visionário nizari, da seita ismaelita iraniana, converteu uma aldeia inteira, chamada Alamut e localizada nas montanhas Alborz, no Norte do Irã. Sendo ele o fundador de um dos grupos de “Hashshin”, seu nome aparece ligado a tais “assassinos”.


A etimologia do termo ASSASSINO vem do árabe haxxixin, “consumidor de haxixe”, palavra árabe que significa erva, derivada de haxis “cânhamo”; do persa hassassin, conforme o descrito acima; do italiano assassino “homicida” (a1321); “há quem acredite na interveniência do francês assassin (sXIII sob a forma assasis, 1560 sob a forma assassin)".

Fonte: Dicionário Houaiss da língua portuguesa, Ed. Objetiva, p. 319.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

NOVA ORTOGRAFIA: acentuação e os casos de dupla grafia

De acordo com a Nova Ortografia, algumas palavras admitem dupla grafia no que se refere à acentuação gráfica. Assim, é facultativo:

1. Usar o acento circunflexo (^) ou o agudo (´) nas palavras em que as pronúncias cultas da vogal tônica aceitam variação, sejam elas oxítonas, paroxítonas ou proparoxítonas. Se a vogal tônica da língua culta soa fechada, recebe acento circunflexo; se soa aberta, recebe acento agudo.
Exemplos:
matinê ou matiné
cocô ou cocó
fêmur ou fémur
ônix ou ónix
ônus ou ónus
pônei ou pónei
Vênus ou Vénus
acadêmico ou académico
cômodo ou cómodo
efêmero ou efémero
gênio ou génio.

2. Usar o acento circunflexo para marcar a oposição entre as seguintes palavras: dêmos (1ª pess. pl. pres. do Subjuntivo) e demos (1ª pess. pl. pret. perf. Indicativo) fôrma (substantivo) e forma (substantivo ou verbo).

3. Grafar-se com acento agudo (´) ou não acentuar os verbos aguar, apaziguar, apropinquar e delinquir. Exemplos: Águe ou ague averíguo ou averiguo.

Fontes: Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, 5ª edição, Bases VIII a XIII. Escrevendo pela Nova Ortografia, do Instituto Antônio Houaiss.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: "melhor" ou "mais bem"

"Melhor" ou "Mais bem"? Depende do contexto. Ambas as formas são comparativos de superioridade do advérbio "bem". Vejamos as diferenças entre elas:
  • "Melhor" é a forma sintética (uma só palavra) e é usada nos casos em que se compara uma mesma ação, praticada por:
a) sujeitos diferentes Exemplo: Minha amiga canta melhor que eu. b) um só sujeito Exemplo: Hoje cantei melhor.
  • "Mais bem" é a forma analítica (mais de uma palavra) e é usada em três situações:
1ª) Ao se comparar ações diferentes de uma mesma pessoa. Exemplo: Minha amiga canta mais bem que mal. 2ª) Diante de particípio. Exemplos: A lição foi mais bem compreendida nesta aula. Ele é o funcionário mais bem informado da empresa. Observação: o gramático Domingos Paschoal Cegalla, admite que antes de verbos no particípio (ido, ado), tanto é correto usar melhor como mais bem. Já Napoleão Mendes de Almeida afirma que "o mais seguro, antes de particípio, é redigir "mais bem ...". 3ª) Nos casos em que "bem" faz parte de adjetivo composto. Exemplos: mais bem-sucedido, mais bem-humorado, mais bem-aventurado, etc. Observação: tanto "melhor" como "pior" são comparativos dos adjetivos bom e mau e dos advérbios bem e mal. Atente-se, entretanto que "melhor" (mais bem) não varia, pois é advérbio: Eles estão falando melhor; e "melhor" (mais bom) é adjetivo, por isso, varia: Eles são os melhores alunos. Fontes: Gramática Metódica da Língua Portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida, p. 150 e 320. Dicionário de dificuldades da Língua Portuguesa, de Domingos Paschoal Cegalla, Ed. Lexicon.