quinta-feira, 31 de maio de 2012

Vou "a pé" ou "de pé"?

 As expressões “a pé” e “de pé” são locuções adverbiais. Entretanto, cada qual exprime uma circunstância diferente.


 - A locução adverbial “a pé”, indica “meio”, da mesma forma que: de carro, de ônibus, de trem, de carroça e de avião; mas não aceita a preposição “de”. O mesmo acontece com a locução adverbial “a cavalo”.
Então:
As crianças foram de ônibus hoje, mas geralmente vão de carro
Por causa da greve dos trabalhadores de transporte urbano, ontem todos foram ao trabalho a pé.
Enquanto um foi a cavalo, o outro foi de avião.

Observação: O verbo “ir” indica movimento ou deslocamento de um lugar para outro, que pode ser feito “por impulso próprio ou dirigido, ou com ajuda de mecanismo, veículo, etc.”: Ele vai (de casa) para o trabalho (ou até a faculdade, etc.) de ônibus (ou a pé).   

- A locução adverbial “de pé”  indica posição, lugar onde está o ser de quem se fala. Ela tem os seguintes significados:

1.  "Em posição vertical, ereto, em pé": Ficamos de pé (ou em pé) durante toda a apresentação.
2. “Conforme combinado”: Nosso acordo está de pé.
3. "Firme, irredutível, sem mudar de ideia: Mantém-se de pé, em meio a tantas deserções e cambalachos políticos."


 Fontes: Dicionário Prático de Regência Verbal, de Celso Pedro Luft, p. 342, 343. Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, de Domingos Paschoal Cegalla, p. 122. Nossa Gramática Completa SACCONI: teoria e prática, p. 310 a314.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: concordância nas expressões de porcentagens

Com expressões numéricas de porcentagem, o verbo fica no singular ou vai para o plural?

Depende do caso, pois a concordância verbal nas expressões de porcentagem pode dar-se:

1) com o termo antecedido de preposição, aquele que especifica a porcentagem, em geral um substantivo

Exemplos:

50% dos alunos chegaram atrasados.
10% das crianças estavam acamadas.
40% da produção é exportada.
30% da população assistiu à transmissão da Copa.
30% dos brasileiros assistiram à transmissão da Copa.
1% dos convidados não vieram à festa.

2) com um artigo, ou um  pronome, ou um adjetivo que antecede a porcentagem;

 Exemplos:

Os 30% da população assistiram à transmissão da Copa.
Esses 5% da boiada morreram na enchente.
Bons 90% do eleitorado compareceram às urnas.

3) Com o numeral:

a) quando a expressão que indica porcentagem não é seguida de substantivo;
Exemplos:
25% querem a mudança.
1% conhece o assunto.” 

b) se o  verbo estiver antes do percentual.
Exemplos:
Faltaram às aulas 15% dos acadêmicos.
Não realizou a prova 1% dos candidatos.


Fontes: Gramática da Língua Portuguesa, de Pasquale & Ulisses, p. 483.Gramática Metódica da Língua Portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida, p. 414. Moderna Gramática  Portuguesa, de Evanildo Bechara, 37 ed., p. 566.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

VOCÊ SABIA? A origem da palavra "assassino"

A origem da palavra ASSASSINO está ligada ao nome de uma pessoa, Hassan Sabbah, persa que fundou uma seita xiita ismaelita, cujos membros assassinavam chefes cristãos ou sunitas depois de consumirem haxixe.

Segundo a lenda, na época das Cruzadas, os fanáticos ismaelitas atacavam os cristãos ou outros inimigos de sua fé, em quadrilhas, quando estavam sob a influência da droga.
No século XI, os membros dessa seita ou tribo, provenientes do Norte do Irã, eram conhecidos por “haxxixin” ou “hashishin”, que significa consumidor de haxixe. Assim, os que fumavam “hashish” eram “assassinos”.

Daí a relação com o nome de Hassan ibn al-Sabbah (1034. 1124), chamado por Marco Pólo de “Velho das Montanhas”. Este visionário nizari, da seita ismaelita iraniana, converteu uma aldeia inteira, chamada Alamut e localizada nas montanhas Alborz, no Norte do Irã. Sendo ele o fundador de um dos grupos de “Hashshin”, seu nome aparece ligado a tais “assassinos”.


A etimologia do termo ASSASSINO vem do árabe haxxixin, “consumidor de haxixe”, palavra árabe que significa erva, derivada de haxis “cânhamo”; do persa hassassin, conforme o descrito acima; do italiano assassino “homicida” (a1321); “há quem acredite na interveniência do francês assassin (sXIII sob a forma assasis, 1560 sob a forma assassin)".

Fonte: Dicionário Houaiss da língua portuguesa, Ed. Objetiva, p. 319.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

NOVA ORTOGRAFIA: acentuação e os casos de dupla grafia

De acordo com a Nova Ortografia, algumas palavras admitem dupla grafia no que se refere à acentuação gráfica. Assim, é facultativo:

1. Usar o acento circunflexo (^) ou o agudo (´) nas palavras em que as pronúncias cultas da vogal tônica aceitam variação, sejam elas oxítonas, paroxítonas ou proparoxítonas. Se a vogal tônica da língua culta soa fechada, recebe acento circunflexo; se soa aberta, recebe acento agudo.
Exemplos:
matinê ou matiné
cocô ou cocó
fêmur ou fémur
ônix ou ónix
ônus ou ónus
pônei ou pónei
Vênus ou Vénus
acadêmico ou académico
cômodo ou cómodo
efêmero ou efémero
gênio ou génio.

2. Usar o acento circunflexo para marcar a oposição entre as seguintes palavras: dêmos (1ª pess. pl. pres. do Subjuntivo) e demos (1ª pess. pl. pret. perf. Indicativo) fôrma (substantivo) e forma (substantivo ou verbo).

3. Grafar-se com acento agudo (´) ou não acentuar os verbos aguar, apaziguar, apropinquar e delinquir. Exemplos: Águe ou ague averíguo ou averiguo.

Fontes: Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, 5ª edição, Bases VIII a XIII. Escrevendo pela Nova Ortografia, do Instituto Antônio Houaiss.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

DÚVIDAS FREQUENTES: "melhor" ou "mais bem"

"Melhor" ou "Mais bem"? Depende do contexto. Ambas as formas são comparativos de superioridade do advérbio "bem". Vejamos as diferenças entre elas:
  • "Melhor" é a forma sintética (uma só palavra) e é usada nos casos em que se compara uma mesma ação, praticada por:
a) sujeitos diferentes Exemplo: Minha amiga canta melhor que eu. b) um só sujeito Exemplo: Hoje cantei melhor.
  • "Mais bem" é a forma analítica (mais de uma palavra) e é usada em três situações:
1ª) Ao se comparar ações diferentes de uma mesma pessoa. Exemplo: Minha amiga canta mais bem que mal. 2ª) Diante de particípio. Exemplos: A lição foi mais bem compreendida nesta aula. Ele é o funcionário mais bem informado da empresa. Observação: o gramático Domingos Paschoal Cegalla, admite que antes de verbos no particípio (ido, ado), tanto é correto usar melhor como mais bem. Já Napoleão Mendes de Almeida afirma que "o mais seguro, antes de particípio, é redigir "mais bem ...". 3ª) Nos casos em que "bem" faz parte de adjetivo composto. Exemplos: mais bem-sucedido, mais bem-humorado, mais bem-aventurado, etc. Observação: tanto "melhor" como "pior" são comparativos dos adjetivos bom e mau e dos advérbios bem e mal. Atente-se, entretanto que "melhor" (mais bem) não varia, pois é advérbio: Eles estão falando melhor; e "melhor" (mais bom) é adjetivo, por isso, varia: Eles são os melhores alunos. Fontes: Gramática Metódica da Língua Portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida, p. 150 e 320. Dicionário de dificuldades da Língua Portuguesa, de Domingos Paschoal Cegalla, Ed. Lexicon.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

NOVA ORTOGRAFIA: o hífen em palavras formadas por prefixos

Pela Nova Ortografia, USA-SE O HÍFEN em PALAVRAS FORMADAS POR PREFIXOS, nos seguintes casos:


- quando o prefixo termina com a mesma vogal que se inicia o segundo elemento (vogal + mesma vogal). 
Exemplos:anti-inflamatório arqui-inimigo auto-observação micro-ônibus micro-onda


- quando o segundo elemento inicia por h. 
Exemplos:anti-higiênico anti-horário super-homem sobre-humano macro-história
Observações: 1) Não se usa o hífen em formações que contêm os prefixos des-, in- e an-, nem naquelas em que o segundo elemento perdeu o h inicial. Exemplos: desumano, desumidificar, inábil, inumano, anistórico, anepático. 2) Na forma a- usa-se o hífen e não se elimina o h: a-histórico.


- quando os prefixos hiper-, inter- ou super- se ligarem a palavras que se iniciam por r.  Exemplos:hiper-requisitado inter-regional super-resistente


- com os prefixos ex-, vice-, sota-, soto- e vizo-.
Exemplos: ex-diretor vice-prefeito sota-piloto soto-mestre vizo-rei


- com os prefixos circum- e pan-, quando o segundo elemento inicia por vogal, m ou n, além do h. 
Exemplos: circum-adjacente circum-ambiente circum-hospitalar circum-navegação pan-africano pan-atrofia pan-hidrômetro pan-negritude pan-óptico


- com os prefixos pós-, pré- e pró-, quando forem tônicos, acentuados e conservarem autonomia vocabular. 
Exemplos: pós-eleitoral pós-graduação pós-guerra pós-escrito pré-estreia pré-eleitoral pré-escola pré-fabricado pré-contrato pré-lançamento pró-americano pró-forma


Observação: os prefixos átonos re-, pre-, pro- e o prefixo co- aglutinam-se em geral ao segundo termo, mesmo que este inicie pela mesma vogal ou h. Exemplos: cooperar, coordenar, cooperação, cooptar, reescrever, reescrita, preconceito, preencher, proativo.

Fonte: Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, 5ª edição, base XVI.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

VOCÊ SABIA? A palavra "gari"

Você sabe a origem da palavra “gari”? Historicamente a forma “gari” é originária do Rio de Janeiro e deriva de um nome próprio. No século XIX, a limpeza pública das ruas da antiga capital federal estava a cargo de uma empresa, cujo proprietário chamava-se Aleixo Gary. Por isso, esse termo foi adotado primeiramente no Rio, para designar a pessoa contratada pela incorporadora, para varrer as ruas. O vocábulo “gari” consolidou-se em 1909 e atualmente é usado em todo o Brasil para designar o varredor de ruas, geralmente contratado pelo órgão municipal encarregado da limpeza pública. Fonte: Dicionário Houaiss da língua portuguesa, 1ª edição, p. 1429.